RELAÇOES VIRTUAIS
Os novos contornos dos comportamentos e relações... em tempo real!
Onze milhões de assinantes. Vários países em directo e inúmeras pessoas interessantes para conhecer.
A ideia é aliciante e, por razões profissionais, resolvi tentar a minha sorte.
Após responder a um exaustivo teste psicológico em que tudo foi filtrado, desde os valores, à personalidade, gostos culturais, musicais ou decorativos, passando pela profissão, religião e planos futuros, obtive um perfil. Em breves minutos, surgia no ecrã a lista de cinco homens compatíveis, ou melhor, membros desta comunidade virtual com as mesmas afinidades.
Fácil. Rápido. E estranho. Após a surpresa inicial, li as características dos candidatos. Os pontos comuns eram vários. Desporto, música, profissão ou idade. A minha lista incluía, entre outros, um médico de Viena que toca piano e um jovem engenheiro informático de Espanha. Fechei a janela. A primeira pesquisa jornalística tinha terminado mas... a curiosidade permanecia!
O que levará alguém a dar o clique seguinte? Será verdade o que afirma a outra pessoa? Poderá um encontro virtual transformar a vida real? Munida dos mais recentes estudos e guiada por especialistas prossegui as buscas para tentar perceber que emoções e desejos se escondem atrás do ecrã... Siga-me.
BI do cibernauta enamorado
No início, muito antes do Facebook, do hi5 e do Twitter, eram apenas as pessoas solitárias, sedentárias e algo tímidas, que tinham poucos amigos e passavam grande parte do tempo livre a vaguear pelo mundo virtual. A pouco e pouco, o clube alargou-se, para incluir também as mais extrovertidas, bem sucedidas na vida profissional e pessoal, os solteiros, os pais e mães de família e até os avós.
Tal como a televisão ou o telefone, a Internet é agora parte integrante da nossa vida. E o perfil do cibernauta é tão diversificado como a população que tem acesso à rede. Milhões de utilizadores distintos recorrem a ela como ponto de encontro com pessoas que conhecem ou com quem partilham interesses.
E-mail, messenger, salas de chat, foruns temáticos ou sites de encontros são apenas alguns itens deste vasto menu. Um estudo recente revela que dezasseis milhões, cerca de onze por cento dos utilizadores
norte-americanos, já acederam a sites de online dating. Esqueça a imagem do eterno solitário diante do computador e olhe-se ao espelho. Será que nunca marcou um encontro com amigos, trocou opiniões ou conheceu alguém através da Internet? Bem nos parecia...
Nome de código
Iniciar uma conversa sem ficar com a voz trémula e, sobretudo, não correr o risco de levar uma tampa são razões que tornam estas novas redes tentadoras. Aqui, o contacto é pessoal mas não o suficientemente directo para que o rosto denuncie o nervosismo.
Como realça Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga clínica e sexóloga, «a Internet permite a relação na ausência de interacção física, num anonimato que oferece algum controlo às pessoas para iniciar ou terminar o contacto interpessoal.» Dar o primeiro passo torna-se mais fácil, assim como mostrar o lado mais íntimo.
Para John Suler, professor da Rider University, uma vez online a pessoa mostra o que realmente sente, graças ao efeito desinibidor que o meio permite. O outro pode saber muito sobre nós sem, no entanto, conhecer a nossa identidade. Esta invisibilidade coloca os intervenientes ao mesmo nível e explica a autenticidade nas emoções, fragilidade ou agressividade que por vezes transparece.